A vitória sobre o Palmeiras de Leão em 1969

O futebol de Americana passou quase duas décadas sem ver o time principal de um dos quatro grandes de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos) jogando em sua cidade. A última ocasião tinha sido em 19 de março de 1950, quando o Rio Branco Football Club, ainda ativo, recebeu no estádio da Rua Fernando de Camargo o Corinthians e venceu por 5 a 4 – em uma das maiores viradas da história do esporte do município, já que o Tigre perdia por 4 a 2 até os 17 minutos do segundo tempo +.

Depois daquele dia, o máximo que Americana recepcionou foram aspirantes (na época, chamados de segundos quadros) e veteranos das equipes da capital. Por exemplo, em novembro de 1957, o Rio Branco recebeu o segundo quadro do Corinthians e perdeu por 2 a 1; em 1962, o Flamengo de Americana, tradicional equipe do bairro da Vila Galo, enfrentou em seu campo os aspirantes do Palmeiras e foi goleado por 6 a 0 +; por fim, o próprio Vasco da Gama, no dia 21 de abril de 1963, trouxe para a cidade os Veteranos do Palmeiras – formado, principalmente, por jogadores que se sagraram campeões da Taça Rio de 1951, considerado, pelo clube alvi-verde, como o seu único título mundial até então. Naquela oportunidade, o cruzmaltino venceu por 8 a 2  +.

Dessa forma, foi grande a expectativa quando o único jornal de Americana, O Liberal, anunciou em sua edição do dia 4 de setembro de 1969, a vinda do Palmeiras para a cidade a fim de enfrentar o Vasco +. Mesmo não sendo o time completo do Verdão, ainda assim era o principal, com craques e com alguns jogadores que depois virariam ídolos dos palestrinos.

 

PRÉ-JOGO

O Vasco da Gama vivia um ano mágico: em 20 de abril, tinha conquistado o título do Campeonato Paulista da Segunda Divisão (a 3ª estadual) de 1968, ao bater o Municipal de Paraguaçu Paulista por 2 a 0, no estádio Alfredo de Castilho, em Bauru. Isso deu ao cruzmaltino o acesso à Primeira Divisão e o apelido de “Caçula Quente” – que era como os jornais se referiam ao time novato no segundo escalão estadual. Além disso, o Dragão ainda derrotou equipes fortes como a Ferroviária +, do craque Bazani e que naquele ano se sagraria campeã do interior, e o Comercial, de Ribeirão Preto, um dos mais fortes do estado – mas que em 1969 se retirou das competições da Federação Paulista de Futebol e disputou apenas torneios amistosos, devido a uma briga na justiça contra a entidade maior do futebol estadual que acabou por anular o seu rebaixamento.

O único ponto negativo, entretanto, era a campanha cruzmaltina na Primeira Divisão. Integrante da Série A, junto com Ferroviário de Araçatuba, Noroeste de Bauru, Nacional da capital, Ponte Preta, Saad de São Caetano do Sul, São Carlos Clube e União Barbarense, o Vasco da Gama acumulou, nos nove jogos até o confronto com o Palmeiras, uma campanha de três vitórias, um empate e cinco derrotas – além da 5ª colocação na Série. O ruim retrospecto na Primeirona rendeu, até mesmo, mudanças no cargo técnico: saiu Tonhão e chegou Antônio Rosalém, que estreou justamente na vitória supracitada sobre o Comercial de Ribeirão Preto.

Em Americana, o discurso era de que o Vasco tinha um bom time, mas que “não se encaixou”. Em relação ao elenco campeão da Segunda Divisão, chegaram o goleiro Claudinei Freire, ex-XV de Piracicaba; o lateral Airton, ex-Bauru AC; o zagueiro Clésio e o lateral Milton, ambos ex-Flamengo de Americana; o zagueiro Melo, o meia Moacir Guaçu e os atacantes Maurinho e Ferreirinha, todos vindos do Oeste de Itápolis; o centroavante Jairzinho, ex-Ponte Preta; e, por fim, os pontas Campos e Dirceu Casagrande, ambos trazidos do Municipal de Paraguaçu Paulista. Ou seja, o elenco campeão foi reforçado e, portanto, deveria alcançar resultados melhores do que vinha conquistando.

No dia 31 de agosto, no jogo anterior ao confronto com o Palmeiras, o Vasco ficou empate por 1 a 1, em casa, com o Nacional da capital +. O resultado desagradou a torcida cruzmaltina, como relata o jornal O Liberal de 2 de agosto:

“Termina a partida: 1×1. A torcida é a que menos gosta do resultado. Critica muito o técnico Rosalén (sic) por não ter orientado devidamente o quadro. Acha, principalmente, que Campos que vinha jogando bem na primeira etapa, tendo inclusive marcado o gol, deixou simplesmente de se interessar pela partida no segundo tempo. Não gosta, também, da substituição de Ferreirinha por Maurinho.”

Portanto, o clima mágico dos primeiros meses tinha parcialmente se dissolvido diante da má campanha na Primeira Divisão.

Além disso, o cruzmaltino vivia uma outra preocupação, pois havia sido acionado no TJD da Federação Paulista de Futebol pelo São Carlos Clube devido a uma suposta escalação irregular do zagueiro Melo no Paulista. A equipe são-carlense alegou que o Oeste, clube anterior do defensor, não tinha dado permissão de empréstimo ao Vasco e que ele vinha jogando pelo Dragão estando vinculado ao time de Itápolis +. O caso, posteriormente, foi julgado e considerado improcedente, já que o cruzmaltino guardava o documento que comprovava o empréstimo de Melo. Porém, naquele momento, era uma situação que causava grande desconforto, uma vez que o Vasco poderia ser penalizado caso fosse julgada procedente a irregularidade – inclusive, podendo ser rebaixado da Primeira Divisão.

Foi em meio a essas várias turbulências que o amistoso foi anunciado em 4 de setembro de 1969 para o dia 7, a fim de substituir a folga do Dragão no Paulista. O jornal O Liberal destacou o cartaz de alguns jogadores do Palmeiras:

“Na delegação do alvi-verde virão alguns atletas sobejamente conhecidos pela platéia esportiva, destacando-se entre êles: Leão, Neves, Nelson, Osmar, Écio, Pasternack, Cabralzinho, China e Marco Antônio.”

No dia do jogo, apesar da confusão envolvendo o zagueiro Melo e o Vasco no TJD, o O Liberal voltou a destacar a qualidade dos jogadores do Palmeiras, em especial do goleiro Leão, “arqueiro revelação”. Também, a expectativa era de um público relevante no estádio Victório Scuro para o confronto +.

 

O JOGO: VASCO VENCE POR 2 A 1

Às 15h, do feriado de 7 de setembro de 1969, deu início a peleja entre Vasco da Gama e Palmeiras, no estádio Victório Scuro. O público foi abaixo da expectativa, proporcionando uma renda de NCr$3.500,00 – aproximadamente 700 pagantes, já que os ingressos custavam NCr$5.

O cruzmaltino iniciou melhor o jogo, dominando o Verdão e assim, abriu o placar, aos 13 minutos, em uma boa jogada do ponta Jairzinho: 1 a 0 para o Vasco. Depois disso, o cruzmaltino passou a ser dominado – isso durante todo o restante do 1º tempo e toda a 2ª etapa. Aos 25 minutos de jogo, o Palmeiras empatou com Toninho em falha da defesa do Dragão.

Entretanto, aos 43 minutos do 2ª tempo, quando todos esperavam por um empate ou em um gol do Palmeiras, devido ao alto volume de jogo dos palestrinos, o meio-campista Tuti puxou um contra-ataque e sofreu falta. Ele mesmo cobrou e o goleiro Leão não conseguiu segurar (popularmente chamado no futebol de “bater roupa”), sendo que Jairzinho, novamente, aproveitou a chance no rebote e deu a vitória histórica ao Vasco da Gama.

 

Amistoso oficial

Placar final: Vasco da Gama 2×1 Palmeiras

Placar 1º tempo: Vasco da Gama 1×1 Palmeiras

Local: Victório Scuro, em Americana

Árbitro: Carlos Batista Barbosa

Público: aproximadamente 700 pagantes

Renda: NCr$3.000,00

 

Vasco da Gama: Nenê; Milton (Aírton), Valdecir (Romualdo), Melo e Hélio; Miltinho e Tuti; Jairzinho, Ferreirinha (Carlinhos), Demerval e Campos. Técnico: Antônio Rosalém.

Palmeiras: Leão; Neves, Alfredo Mostarda, Osmar e Wilson; Pedrinho e Écio (Robertinho); Zinho (Mario Augusto), Toninho (Pasternack), China e Marco Antônio (Dinho).

 

Gols: Jairzinho, aos 13′ do 1ºT e aos 43′ do 2ºT para o Vasco; Toninho, aos 25′ do 1ºT para o Palmeiras.

 

Aqui uma oportunidade de conhecer os rostos de alguns dos jogadores que enfrentaram o Palmeiras de Leão
Vasco da Gama 1x0 Ferroviária - 22/06/1969

Em pé: Ítalo Scuro (diretor), Antônio Zutin (presidente), Aírton, Melo, Clésio, Helio, Moacir Guaçu, Nenê, Valdecir, Zulu e Tonhão (técnico)
Agachados: Carlinhos, Maurinho, Demerval, Tuti, Ferreirinha, Claudio Becatti e Zélio
Este é o time que estreou na "Primeirona" contra o União Barbarense
União 2x1 Vasco da Gama - 29/06/1969

Em pé: Aírton, Clésio, Helio, Melo, Moacir Guaçu e Nenê
Agachados: Carlinhos, Maurinho, Demerval, Tuti e Ferreirinha

 

O PALMEIRAS DE 1969 E ALGUNS ATLETAS QUE JOGARAM

CONTRA O VASCO

O ano de 1969 foi marcante para o torcedor palestrino, já que em 7 de dezembro, ao vencer o Botafogo por 3 a 1, o Palmeiras se sagrou campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, um dos precursores do Campeonato Brasileiro e que, com a unificação dos títulos do Brasileirão, da Taça Brasil e do Robertão pela Confederação Brasileira de Futebol, passou a ser contado como título nacional ao Palmeiras. Vale lembrar que, com a unificação, o Verdão se tornou o maior campeão do Brasil com dez títulos: seis do Brasileiro (1972, 1973, 1993, 1994, 2016 e 2018), dois da Taça Brasil (1960 e 1967) e dois do Roberto Gomes Pedrosa (1967 e 1969).

Foi uma grande campanha do Palmeiras naquele Robertão, superando no quadrangular final as equipes do Cruzeiro, do arquirrival Corinthians e, claro, do Botafogo. Ao todo, juntando as fases, o Verdão fez 19 jogos, sendo 10 vitórias, três empates e seis derrotas.

Outros dois títulos foram para conta do alvi-verde da capital em 1969: o Torneio Ramón de Carranza e o Troféu Cidade de Barcelona. A primeira competição, disputada em Cádiz, na Espanha, o Palmeiras superou na semifinal o Atlético de Madrid nos pênaltis, por 3 a 2, após empate por 1 a 1 no tempo normal; e na grande final, disputada em 30 de agosto contra o Real Madrid (que tinha superado o Estudiantes da Argentina), o Verdão venceu por 2 a 0 e levou a taça. Dias depois, em 6 de setembro, ou seja, véspera do jogo com o Vasco, o time praticamente todo principal do Periquito enfrentou o Barcelona e triunfou por 2 a 1, levando o Troféu Cidade de Barcelona.

Com o auxílio do Almanaque do Palmeiras, publicado em 2004 por Celso Dario Unzelte e Mario Sergio Venditti +, relatamos abaixo a biografia/dados de alguns dos jogadores do Palmeiras que atuaram contra o Vasco naquele 7 de setembro de 1969 – com exceção de Leão, o qual terá a sua história relatada posteriormente:

 

Foto: Folhapress

LEÃO, O CARA DO PALMEIRAS

O nome de maior destaque do Verdão que enfrentou o Vasco em 1969 era o do goleiro Leão.

Emerson Leão nasceu em 11 de julho de 1949, em Ribeirão Preto, e iniciou a sua carreira como arqueiro no São José/SP, em 1966. Depois, seguiu caminho para o Comercial, time da sua cidade natal, e brilhou. Chegou ao Palmeiras em 1969, no segundo turno do Campeonato Paulista daquele ano e tornou-se titular absoluto. Foi neste ano que ele iniciou uma história gloriosa no Verdão, alcançando a marca de 617 jogos, sendo 326 vitórias, 188 empates e 103 derrotas – segundo informações do Almanaque do Palmeiras, de Celso Unzelte e Mario Sergio Venditti. Pelo Palestra, conquistou dois títulos de Campeonato Brasileiro (1972 e 1973), um Robertão (1969) e três Paulista (1972, 1974 e 1976), se consolidando como um dos mais vencedores da Academia do Palmeiras. Também foi com o excelente rendimento pelo clube da capital que Leão alcançou a Seleção Brasileira, estando no elenco das Copas de 1970, 1974, 1978 e 1986.

A sua relação com o Palmeiras se estremeceu em 1978, quando na final do Campeonato Brasileiro, contra o Guarani de Campinas, cometeu um pênalti sobre o atacante Careca no jogo de ida – o que além de provocar a sua expulsão, também deu a derrota ao Verdão por 1 a 0. Naquele ano, o Bugre se sagraria o único campeão brasileiro do interior. Com isso, Leão seguiu para o Vasco e depois ainda passou por Grêmio, Corinthians, novamente Palmeiras e Sport, onde encerrou a sua carreira como goleiro e iniciou a de técnico.

Como treinador, Leão tem como destaque dois títulos da Copa Conmebol, um com o Atlético Mineiro em 1997 e outro com o Santos em 1998, do Brasileirão de 2002 com o Santos e do Paulistão em 2005 com o São Paulo – até então, o último título estadual do Tricolor do Morumbi.

 

Foto: Acervo – Gabriel Pitor | Aírton José Spina

NEM LEÃO SEGUROU TUTI, O CRAQUE DO VASCO

Um dos maiores ídolos da história do Vasquinho de Americana é o meio-campista Aírton José Spina, sobejamente conhecido como Tuti. Nascido em 19 de fevereiro de 1945, em Campinas, Tuti começou a jogar no futebol amador de sua cidade natal, mais especificamente no Real Madrid, do bairro Guanabara. Antes de se profissionalizar em 1964 pela Ponte Preta, ainda passou pelo Esporte Clube Mogiana. Em 1966, seguiu para o União Barbarense e no ano seguinte, para o Nacional da Capital.

Chegou ao Vasco em 1968 como um dos reforços para a disputa do Campeonato Paulista da Segunda Divisão (a 3ª estadual) e estreou no último amistoso pré-estadual: no dia 30 de junho, contra o ABC de Rio Claro, no qual o Dragão perdeu por 2 a 1, fora de casa.

Daí em diante Tuti fez uma bela carreira no Vasco: foram 65 jogos entre 1968 e 1970, sendo 28 vitórias, 13 empates e 24 derrotas, além de 15 gols anotados. Pelo cruzmaltino, ganhou os títulos da Segunda Divisão do Paulista e da Taça Bernardes Fonseca – “Torneio Bamba da Região” de 1969. Os seus tentos eram quase sempre marcados em cobranças de falta, já que Tuti era conhecido pelo chute violento, seco e que dificultava muito a defesa do goleiro. Na final da Segunda Divisão, em Bauru, o primeiro gol do título do Vasco foi marcado por Tuti em uma cobrança de falta na qual o goleiro Martinho não conseguiu segurar. O mesmo aconteceu com o arqueiro-estrela Leão, no amistoso contra o Palmeiras, em 1969 – o que rendeu, em Americana, uma das mais inesquecíveis histórias de que “nem Leão segurou Tuti”.

O meio-campista fez seu último jogo pelo Dragão em 12 de julho de 1970, na derrota por 1 a 0 para o Corinthians de Santo André, pelo Campeonato Paulista da Primeira Divisão (a 2ª estadual). Depois disso, Tuti seguiu para o Guaçuano, onde encerraria a carreira.

 

 

O PÓS-JOGO PARA O VASCO: TROCA DE TÉCNICO

A vitória sobre o Palmeiras por 2 a 1 foi muito comemorada em Americana – e não poderia ser diferente, já que o Vasco, fundado como um time de bairro, de meninos, tinha derrotado um dos gigantes do futebol brasileiro. Logo após o apito final, segundo relatos de jogadores da época, o goleiro Leão foi entrevistado e negou que tenha falhado, dando o mérito do segundo gol ao meia Tuti, pela bela cobrança de falta.

Entretanto, mesmo com o excelente resultado, o técnico Antônio Rosalém acabou deixando o cargo de técnico do Vasco para a chegada do folclórico João Avellino, também conhecido como João 71 +. O motivo não chegou a ser informado pelos jornais da época.

Rosalém estava em sua segunda passagem pelo Vasquinho. A primeira foi em 1967, quando chegou para substituir Manoel de Brito, demitido após a derrota por 4 a 0 para o Mogi Mirim, em 26 de fevereiro. Ele permaneceu no comando até a vitória por 2 a 1 sobre o Flamengo de Americana, pela Taça Amadeu Elias, em 19 de maio de 1968. Ao todo, nesta primeira passagem, foram 41 jogos. Depois retornou ao cruzmaltino, nesta segunda ocasião, substituindo o ex-técnico Tonhão e o interino David Tunussi (que era, também, diretor de futebol) – e permaneceu por apenas sete jogos. Na história, portanto, Rosalém tem 48 partidas como treinador do Vasco de Americana: 25 vitórias, oito empates e 15 derrotas. Está atrás apenas de Nã (52) e Armando Smânia (57*) em número de jogos no comando do Dragão.

*Apesar de Armandinho ter, oficialmente, 57 jogos registrados na história como técnico do Vasco, ele pode alcançado a marca centenária de partidas. Isso porque, como Smania foi treinador na era amadora vascaína, os registros dos jornais são precários, não dando as informações exatas para este levantamento.

 

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Uma resposta para “A vitória sobre o Palmeiras de Leão em 1969”

  1. Itamar de oliveira disse:

    PARABÉNS GABRIEL SIMPLESMENTE SENSACIONAL ESTA RECORDAÇÃO DO NOSSO INESQUECÍVEL VASCO DA GAMA OU O NOSSO GLORIOSO VASQUINHO, GRAÇAS A DEUS TIVE O PREVILEGIO DE JOGAR NA BASE JUSTAMENTE NA TRANSIÇÃO DE VASCO X AEC E COMO GOLEIRO SUB 13 VESTI A CAMISA DO AEC PELA 1 VEZ.

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